Testemunha do desenvolvimento das ciências da saúde no Brasil, o Castelo da Fiocruz ganhou nesta quinta-feira (27) uma nova iluminação monumental, em uma noite de festa e celebração que marcou os 125 anos da Fundação. Com um sistema inovador no Brasil, o projeto luminotécnico vai proporcionar eficiência energética, sustentabilidade e valorização do patrimônio.
Mais de 900 luminárias realçaram as janelas, varandas e as duas cúpulas, valorizando o volume e dando ainda mais visibilidade ao edifício símbolo da Fiocruz. O projeto destaca a riqueza e a singularidade da arquitetura eclética e de influência neomourisca, estilo marcado pelo uso de torres, arcos, elementos geométricos, azulejos e arabescos de inspiração árabe e islâmica.
Inaugurado em 1995, o primeiro projeto de iluminação monumental do Castelo foi pioneiro no uso de cores nas campanhas de conscientização em temas de saúde. Foi desenvolvido por profissionais do Departamento de Patrimônio Histórico da Fiocruz e da GE (General Eletric Brasil), e teve participação do cantor Ney Matogrosso.
A nova iluminação cria um volume de luz, de cor branca, e torna o Pavilhão Mourisco mais visível na paisagem do Rio a partir de diferentes perspectivas da cidade. “Sublinhamos cada elemento: as linhas, as janelas, os arcos e varandas. Assim, a gente cria um volume de luz em baixa intensidade, o que permite a visibilidade para quem o observa à distância, mas também por quem está no campus”, explicou o lighting designer e autor do projeto Milton Giglio, do escritório Atelier da Luz.
Além do Castelo (Pavilhão Mourisco), a segunda etapa do projeto inclui o complexo histórico e arquitetônico formado pela Casa de Chá, a Cavalariça, o Pavilhão do Relógio e o Pavilhão Figueiredo de Vasconcelos (Quinino). Construídas com o que havia de mais moderno à época, essas edificações foram cenário de momentos marcantes da história da ciência e da saúde no Brasil e no mundo, desde a produção do soro contra a peste bubônica no início do século 20, até a formulação do SUS e das estratégias de enfrentamento da Covid-19.
❝ Essa iniciativa reforça nosso compromisso com a memória da saúde pública brasileira e a preservação de seu acervo arquitetônico, além de reforçar uma atração turística e cultural na Zona Norte❞
Marcos José de Araújo Pinheiro
Diretor da Casa de Oswaldo cruz
Projetado pelo arquiteto português Luiz Moraes Júnior e construído entre 1904 e 1918, o Pavilhão Mourisco foi planejado para ter laboratórios, biblioteca e salas de trabalho. Atualmente, abriga acervos como a Coleção Entomológica e a Biblioteca de Obras Raras, as atividades da Presidência e salas de exposições que serão abertas ao público em 2026, integrando o circuito de visitação oferecido pelo Museu da Vida Fiocruz.
Na Cavalariça ficavam os animais que seriam inoculados para a produção de soros e vacinas no Pavilhão do Relógio, à época chamado de Pavilhão da Peste. No Pavilhão Figueiredo de Vasconcelos, produzia-se a quinina, medicamento para o combate à malária, o que faria com que se tornasse mais conhecido por Quinino.
“Essa iniciativa reforça o compromisso da instituição com a memória da saúde pública brasileira e a preservação de seu acervo arquitetônico e histórico, além de reforçar uma atração turística e cultural no mapa cultural da Zona Norte do Rio” comemora, Marcos José de Araújo Pinheiro, diretor da Casa Oswaldo Cruz. “A nova iluminação faz parte de um conjunto de ações de valorização do patrimônio cultural da Fiocruz, alinhadas à candidatura do campus de Manguinhos a Patrimônio Mundial pela Unesco”.
O Castelo, o Pavilhão do Relógio e a Cavalariça são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1981.
Inovação e eficiência energética
A tecnologia que fará fachadas e cúpulas trocarem de cor em datas especiais é inovadora no Brasil. Foi adotado o sistema RGBWCLA (sigla em inglês para vermelho, verde, azul, branco, ciano, amarelo-limão e âmbar), que amplia as possibilidades de tons comparado ao sistema RGBW, habitualmente utilizado em projetos de iluminação.
Nas fachadas do Castelo, as luminárias foram fixadas por encaixe, por meio de barras de aço escovado desenvolvidas especialmente para este fim. Nos demais edifícios, será mantido o sistema de luminárias embutidas no piso, com a troca dos equipamentos atuais por lâmpadas de LED, cobrindo toda a fachada da Cavalariça, do Pavilhão do Relógio e do Quinino, e da Casa de Chá.
A nova iluminação monumental vai proporcionar mais eficiência energética, com a adoção da tecnologia de LED e lâmpadas mais compactas, com fluxo luminoso maior e consumo reduzido. Estima-se que a modernização represente uma economia de 65% no gasto anual com energia. O sistema também tem baixa emissão de CO2, alinhando a iluminação ao compromisso institucional com sustentabilidade e inovação.
A nova iluminação monumental é uma realização da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e do Ministério da Cultura, Governo Federal, com gestão cultural da Sociedade de Promoção Sociocultural da Fiocruz (SOCULTFio). A iniciativa conta com patrocínio master da Shell, além do patrocínio do Itaú Unibanco, MRS e EDF, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
“Estamos muito felizes em iniciar essa parceria com a Fiocruz, que tem um dos conjuntos patrimoniais mais importantes da cidade do Rio de Janeiro. Essa parceria é reflexo do nosso compromisso com a sociedade brasileira e com o desenvolvimento do Rio por meio dos nossos patrocínios culturais”, comenta Alexandra Siqueira, gerente de Comunicação de Marca da Shell Brasil.
Sobre a Shell Brasil
Há 112 anos no país, a Shell Brasil é uma companhia de energia integrada, com participação nos setores de Petróleo e Gás, Soluções Baseadas na Natureza, Pesquisa & Desenvolvimento, e Trading, por meio da comercializadora Shell Energy Brasil. A companhia está presente ainda no segmento de Biocombustíveis por meio da joint-venture Raízen, que no Brasil também gerencia a distribuição de combustíveis da marca Shell.
A Shell Brasil trabalha para atender à crescente demanda por energia de forma econômica, ambiental e socialmente responsável, avaliando tendências e cenários para responder ao desafio do futuro da energia.