O Castelo Mourisco foi o ponto de partida da visita da delegação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ao campus da Fiocruz em Manguinhos, na zona Norte do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (21/1), para discutir a candidatura a Patrimônio Mundial da Unesco proposta pela instituição. O Iphan é o órgão representante do Brasil na esfera de postulações ao título.
Composto pelo diretor do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização, Andrey Schlee, pela chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais, Juliana Bezerra, e pelo chefe da Assessoria Internacional do Patrimônio Material, Luiz Eduardo Sarmento, o grupo do Iphan participou de uma reunião com o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, o diretor da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Marcos José de Araújo Pinheiro, e a equipe responsável pelo dossiê de candidatura.
“A candidatura a Patrimônio Mundial da Unesco é a reafirmação do papel histórico da Fiocruz, da sua trajetória enquanto instituição de ciência e tecnologia dedicada à vida. Isso significa muito, não só para nós, mas também para o país, que busca reafirmar a sua posição de liderança justamente nesse campo”, enfatizou Mario Moreira.
O grupo percorreu as dependências do Castelo, onde está parte importante das coleções biológicas que são testemunho do trabalho excepcional desenvolvido na instituição ao longo de seus 125 anos. Na sequência, fez um recorrido pelo campus de Manguinhos, acessando edificações que integram o Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos (Nahm), como a Cavalariça e o Pombal, bem como construções emblemáticas para a história recente da Saúde, como o Centro Hospitalar do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), construído durante a pandemia.
“Essa visita técnica faz parte da definição de estratégia que adotaremos para a próxima fase. Temos uma grande expectativa em relação ao sucesso dessa candidatura. Não há como pensar na história da ciência e da saúde sem pensar na Fiocruz, principalmente no cenário brasileiro e latino-americano”, afirmou o diretor da COC/Fiocruz, Marcos José.
Diretor do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Andrey Schlee destacou um amadurecimento da candidatura. “A impressão que nós temos é que a Fundação vem se preparando há muito tempo, seja com políticas ou com equipes, na construção de um dossiê muito denso, algo muito importante para um futuro reconhecimento”, afirmou.
A delegação do Iphan segue uma agenda de reuniões na Fiocruz até esta quinta-feira (22/1).
Fundação Oswaldo Cruz: Ciência, Saúde e Cultura em Manguinhos
A candidatura apresentada pela Fiocruz à Unesco destaca a atividade desenvolvida na instituição entre 1900 e 1960 como um fato único e relevante para a história da humanidade: o primeiro patrimônio da ciência e da saúde pública com base na pesquisa científica, no desenvolvimento e produção de vacinas, e consequente controle e/ou erradicação de doenças endêmicas e epidêmicas.
Em fevereiro de 2024, a Fiocruz passou a integrar a lista indicativa de locais que podem se tornar Patrimônio Mundial Cultural, Natural e Misto, etapa primordial e obrigatória para qualquer bem iniciar um processo de reconhecimento. No momento, a equipe responsável pela candidatura se dedica à elaboração do dossiê que será entregue à Unesco em 2027.
Patrimônio Cultural da Saúde: tipologia inédita na lista da Unesco
A candidatura é singular na medida em que se propõe a preencher uma lacuna de reconhecimentos pela Unesco, relativa ao Patrimônio Cultural da Saúde, definido como um conjunto de bens materiais e simbólicos socialmente construídos, que expressam o processo da saúde individual e coletiva nas suas dimensões científica, histórica e cultural.
O campus de Manguinhos é testemunho da institucionalização da ciência na América Latina, destacando-se pela atuação pioneira na produção de soros e vacinas, pela integração entre medicina tropical e microbiologia, pelas expedições científicas ao interior do Brasil e pelo reconhecimento internacional de sua contribuição para a saúde e a pesquisa científica.