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Imagem ilustrativa do projeto
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Fiocruz inicia restauração da histórica Portaria da Avenida Brasil

Iniciativa faz parte de um conjunto de ações de valorização do patrimônio cultural da Fiocruz 

Cristiane Albuquerque

08 ago/2025

Exemplar da arquitetura moderna nas margens da Avenida Brasil, uma das principais vias da cidade do Rio de Janeiro, a portaria principal do campus da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Manguinhos está sendo restaurada. Projetada na década de 1950, a edificação passará por intervenções que buscam preservar suas características originais e, ao mesmo tempo, adaptar o espaço às demandas atuais de acessibilidade, segurança e acolhimento ao público. A previsão é que a obra seja concluída ainda neste ano. 

Patrimônio modernista em transformação 

Concebido pelo arquiteto Nabor Forster, da Divisão de Obras do então Ministério da Educação e Saúde, o projeto da portaria reflete a linguagem modernista que começava a se firmar na instituição em meados do século 20. A construção foi iniciada a partir da necessidade de se modernizar a entrada da instituição na esteira da inauguração da Avenida Brasil. 

Erguida entre 1954 e 1955, a portaria possui linhas retas e materiais típicos do período, como revestimento de pedra e pastilhas cerâmicas. Desde sua inauguração, manteve a função de principal ponto de controle de acesso ao campus, o que reforça seu valor histórico e levou a Fiocruz a solicitar seu tombamento junto ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). 

O projeto modernista, no entanto, não foi o primeiro a ser vislumbrado para o principal acesso à Fiocruz. Uma outra proposta, assinada por Luiz Moraes Júnior — o mesmo arquiteto responsável pela concepção do emblemático Pavilhão Mourisco – Castelo da Fiocruz — previa um pórtico em estilo eclético, como os primeiros edifícios do campus. A proposta, no entanto, jamais saiu do papel. 

Desafios técnicos e respeito à história 

A intervenção em curso contempla a restauração do revestimento externo, revisão das instalações elétricas, de dados e telefonia, e a modernização do espaço interno. A volumetria original será mantida, com recuperação dos materiais históricos e instalação de novas esquadrias, incluindo janelas altas em fita, que reforçam a horizontalidade da fachada — característica do modernismo. 

Entre as novidades, destaca-se a criação de um banheiro de uso público, integrado ao espaço, além da substituição dos portões de veículos. “Queremos que a guarita se torne um ambiente mais acolhedor para os visitantes e funcionários, atendendo também às necessidades de acessibilidade e segurança”, afirma Barbara Cortizo de Aguiar, arquiteta do Departamento de Patrimônio Histórico da Fiocruz. 

A restauração da portaria faz parte de um conjunto de ações de valorização do patrimônio cultural da Fiocruz, alinhadas à candidatura do campus de Manguinhos a Patrimônio Mundial pela Unesco. A iniciativa reforça o compromisso da instituição com a memória da saúde pública brasileira e a preservação de seu acervo arquitetônico e histórico. 

“A iniciativa está alinhada ao projeto de tornar o campus um verdadeiro campus-parque, mais convidativo, acessível e integrado à cidade. Requalificar a porta de entrada da Fiocruz significa reafirmar nosso compromisso com a preservação e o uso social do patrimônio histórico”, disse Barbara, uma das responsáveis pela intervenção. 

De acordo com Bárbara, o principal desafio técnico da obra está na identificação e correção de pontos de infiltração de água de chuva. “É uma medida fundamental para garantir a preservação da estrutura e evitar futuras intervenções. Além disso, trata-se de uma obra de reforma interna, o que nos desafia a atualizar as condições de uso da portaria sem descaracterizar seu estilo modernista”, explica.  

Impacto temporário e benefícios permanentes 

Durante a obra, haverá interdição parcial para veículos na entrada principal. Visitantes continuarão acessando o campus pela portaria da Avenida Brasil, enquanto funcionários, estudantes e bolsistas deverão utilizar as demais portarias disponíveis. O acesso de pedestres será mantido por um portão auxiliar, com instalação de módulo provisório para identificação e controle. 

As intervenções causarão ruídos mais intensos e poeira, sobretudo na fase de demolição e retirada de revestimentos internos. Haverá área exclusiva para embarque e desembarque de pessoas com deficiência e pacientes, com suporte de carrinhos de transporte. 

Para mais informações, o Departamento de Patrimônio Histórico pode ser contatado pelo e-mail dph@fiocruz.br. Confira como será o funcionamento das portarias durante a obra.