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Discussão sobre Biodiversidade reúne dezenas de pessoas na Fiocruz

2012-09-19

 

Cerca de 100 pessoas dos mais variados perfis sociais discutiram ao longo do sábado, 15, a biodiversidade, ou seja, a variedade de vida em nosso planeta, em especial no Brasil. A Fiocruz, por meio do Museu da Vida, departamento da Casa de Oswaldo Cruz, acolheu o grupo – vindo de várias regiões do país – numa tenda armada no campus da Fundação, em Manguinhos. No local, com ajuda de mediadores e auxílio de vídeos e outras informações, os participantes responderam aos diversos questionários aplicados sobre o tema dessa consulta pública do projeto internacional Visões Globais sobre Biodiversidade (World Wide Views on Biodiversity, no original em inglês). Parte do resultado já pode ser conhecido no site oficial do evento: http://biodiversity.wwviews.org/the-results/

 

Sobre possíveis medidas para garantir a proteção de áreas naturais no país, no tocante à biodiversidade terrestre, dos participantes 92% disseram preferir “educar as crianças em idade escolar e a população promovendo questões relacionadas à biodiversidade”. Sobre quem deveria fornecer os recursos financeiros para a proteção da biodiversidade nos países em desenvolvimento, a maioria (85%) afirmou que “tanto os países desenvolvidos como os países em desenvolvimento deveriam ser obrigados a contribuir”.

 

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O Brasil foi um dos 25 países integrantes do projeto que permitiu
a cidadãos de diversos segmentos da sociedade compartilhar suas
percepções e aprender sobre biodiversidade. Foto: Peter Ilicciev

Falando na abertura do encontro, o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, ressaltou que o tema também deve servir para que a sociedade contemporânea discuta outros assuntos de relevância, citando a falta de debate em torno da saúde na Rio + 20, a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável promovida em junho pelas Nações Unidas, na capital fluminense. Na ocasião, a Fundação teve papel fundamental ao incluir o tema da saúde nas discussões. Para Gadelha, “é importante trazer novos parceiros e pessoas às questões em que a Fiocruz está envolvida”.

 

O senador Rodrigo Rollemberg, do PSB do Distrito Federal, e presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, destacou que “o Brasil tem uma responsabilidade cada vez maior”, mas que tem pouco conhecimento sobre o tema biodiversidade. O parlamentar foi taxativo: “conhecer a biodiversidade de forma sustentável é uma questão de sobrevivência”.

 

“Há vários desdobramentos que o Senado pode fazer em conjunto [com a sociedade], até com audiência pública sobre o tema”, afirmou Rollemberg ao deixar o evento para voltar a Brasília.

 

Luísa Massarani, chefe do Museu da Vida, lembrou que estamos na década da biodiversidade e chamou atenção para a participação de 25 países no evento em todo o mundo. Coordenadora geral do encontro promovido no Rio de Janeiro, destacou que a iniciativa significa levar “nossas vozes a quem vai tomar as decisões”, em uma referência à COP11 (11ª Conferência das Partes sobre Diversidade Biológica). Nesta reunião das Nações Unidas em outubro, na Índia, a biodiversidade será amplamente debatida e um documento deverá ser elaborado para a proteção dos diversos biomas existentes no planeta.

 

O projeto Visões sobre a Biodiversidade reuniu um grupo de cidadãos de perfis bastante variados: homens e mulheres de diferentes classes sociais, idades (a partir de 16 anos), etnias, regiões e tipos de biomas do país, profissões e de diferentes graus de instrução, tanto de áreas urbanas quanto rurais, sem conhecimento profundo sobre biodiversidade.

 

Em todos os 25 países participantes, grupos de pessoas também com cerca de cem integrantes debateram temas de biodiversidade, com enfoque global e local. As opiniões levantadas serão incluídas em relatório encaminhado à delegação nacional que representará o país na COP11. A parte nacional também deve gerar informações para a delegação brasileira. O projeto busca atender aos objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), a ser implementada pelos países em todo o mundo, e conta com o apoio da coordenação do Conselho Dinamarquês de Tecnologia (Danish Board of Technology) e supervisão da Secretaria da Convenção sobre Diversidade Biológica.

 

No Brasil, tem o suporte também do Fundo de Biodiversidade do Japão, do Inhotim – Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico, da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle - CMA, do SciDev.Net e do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa.


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