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Ações para o fortalecimento da memória são destaques na abertura de Fórum na Fiocruz

06/12/2018

“O tempo da memória é o presente. A batalha da memória é crucial para refazermos os nossos laços, identidades e reforçar a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), por uma ciência forte, por um projeto nacional soberano, inclusivo e socialmente justo”, com essas palavras o diretor da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Paulo Elian, deu início, nesta quinta-feira (06/12), ao 1º Fórum Fiocruz de Memória, evento promovido pela COC em parceria com a presidência da fundação. Realizado no campus da Fiocruz em Manguinhos, o fórum reuniu mais de 150 participantes que acompanharam os debates e a sessão de homenagens a personalidades que atuaram na criação da COC, unidade técnico-científica da fundação dedicada à história, preservação e à memória da Fiocruz e da saúde.

De acordo com Paulo Elian, a Fiocruz experimenta, atualmente, o desejo de manter viva a memória institucional e a realização do fórum reforça o desenvolvimento de iniciativas sobre o tema. “As unidades da Fiocruz em todo o país apontam nessa direção e iniciam, com a colaboração da Casa, projetos de preservação da memória na sua dimensão material, individual, coletiva e simbólica. Desta forma, este fórum visa contribuir para o aprofundamento e a institucionalização de uma Política de Memória da Fiocruz, em fase de elaboração”, destacou.

Em vídeo gravado especialmente para a abertura do evento, Nísia Trindade afirmou que é necessário pensar a memória e a história da Fiocruz ressignificando o presente. “A partir do fórum, podemos discutir o tempo atual, projetando o que queremos para nossa instituição, alinhado o seu papel na sociedade brasileira, pensando o Sistema Único de Saúde (SUS), as políticas de inovação e o desenvolvimento sustentável em nossa sociedade”.

De acordo com Mario Moreira, vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz, os profissionais da fundação e a sociedade precisam conhecer o legado da instituição. “Contar a história centenária da Fiocruz com todos os marcos históricos e, sobretudo, sua atuação na construção de um projeto democrático no país, a partir da formulação dos princípios do Sistema Único de Saúde, é um desafio”, disse.

Também presente na cerimônia, Michele Alves, vice-presidente da Sindicato dos Servidores de Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública (Asfoc-SN), a iniciativa do fórum ultrapassa os muros da instituição e se confunde com a luta de um projeto civilizatório para o Brasil. “É fundamental reafirmar a identidade e o pertencimento a um projeto que luta por melhores condições de vida para todos e todas. Cabe as novas gerações de profissionais atualizar e manter o projeto inaugurado por Oswaldo Cruz e tocado até aqui pelo conjunto dos trabalhadores da instituição”, finalizou.

Reconhecimento e homenagens

Durante a cerimônia, a Casa de Oswaldo Cruz prestou homenagens a personalidades que foram fundamentais para o processo de criação da unidade, em 1986: Arlindo Gomez de Souza, Paulo Gadelha, Sergio Arouca (in memoriam) e Luiz Fernando Ferreira (in memoriam). Na ocasião, foi exibido um vídeo que lembrou a trajetória de Paulo Gadelha, primeiro diretor da COC ex-presidente da Fiocruz. Assista

“Este reconhecimento a importantes atores da história institucional demostra entendimento de que as conquistas que a Fiocruz acumulou ao longo do tempo são resultado da ação de profissionais que personificam a memória, a identidade e valores da instituição, que só podem ser transmitidos às novas gerações se essas trajetórias forem conhecidas e reconhecidas, fornecendo elementos que permitam a construção de caminhos futuros para a instituição”, ressaltou Paulo Elian.

Superintendente do Canal Saúde e professor emérito da Fiocruz, Arlindo Gomez de Souza contou que a ideia da criação da nova unidade surgiu a partir de uma ‘brincadeira’ de contar histórias.

“Um dia resolvemos brincar de contar histórias. E contando histórias resolvemos que, então, um dia, iríamos fazer com que isso se convertesse em um assunto sério, assunto de profissionais. Não era o nosso assunto e nós precisávamos de pessoas que soubessem escrever a história da instituição, a história da saúde pública do nosso país e, assim, teve origem a Casa de Oswaldo Cruz”, disse Arlindo.

Emocionado, Paulo Gadelha falou sobre a atuação de Luiz Fernando Ferreira para a criação da COC. “Se teve alguém que foi um ator fundamental na recriação do que nós chamamos de alma de Manguinhos, se teve alguém que trabalhou essa memória num plano, aparentemente, caótico, esse personagem foi Luis Fernando”, lembrou Gadelha, agradecendo a homenagem. Pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), Lucia Solto representou Sergio Arouca, e Bernardo Ferreira da Silva, neto de Luiz Fernando Ferreira, recebeu a homenagem em nome da família.


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