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Casa de Oswaldo Cruz debate tragédia e futuro do Museu Nacional

23/10/2018

Em vez do fim, um recomeço. Depois da tragédia, a esperança. No mesmo dia (19/10) em que o crânio de Luzia, fóssil humano mais antigo das Américas, foi encontrado nos escombros do Palácio de São Cristóvão, a Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) promoveu o debate “A significação da perda do Museu Nacional”, em Manguinhos (RJ). Realizado no Centro de Documentação e História da Saúde (CDHS), o encontro contou com a participação do ex-presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e assessor para assuntos de Memória e Patrimônio Museológico da COC, José do Nascimento Junior, da chefe do Laboratório Central de Conservação e Restauração do Museu Nacional, Marcia Valéria de Souza, e do diretor da Escola de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Ivan Coelho de Sá.

Organizado pelo Departamento de Patrimônio Histórico e pelo Mestrado Profissional em Preservação e Gestão do Patrimônio Cultural das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz, o debate teve a mediação da pesquisadora e vice-diretora de Pesquisa e Educação da COC, Magali Romero Sá, que manifestou pesar pelo incêndio que destruiu o Museu Nacional e esperança no reerguimento da instituição bicentenária, vinculada à Universidade Federal do Rio de Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1946. “O Museu Nacional está vivo, nem todo o seu acervo foi perdido. Os departamentos de vertebrados e botânica, por exemplo, estão intactos. Houve uma perda inestimável, mas muito material ainda pode ser resgatado e reconstituído”, afirmou Magali Romero Sá.

Restauradora e chefe do Laboratório Central de Conservação e Restauração do Museu Nacional, Marcia Valéria de Souza se emocionou ao lembrar das chamas que consumiram grande parte do acervo da instituição científica mais antiga do Brasil no último dia 2 de setembro. Ao falar da importância da educação patrimonial para despertar o interesse dos jovens na sua área de atuação, Marcia Valéria de Souza também explicou os desafios que conservadores e restauradores enfrentam em uma instituição com a complexidade do Museu Nacional. Desafios que foram renovados após o incêndio. “Eu nunca trabalhei com papel queimado, com material transformado pelo fogo. Ninguém da equipe trabalhou. Será um recomeço da nossa vida profissional, nós temos muito o que aprender”, afirmou a restauradora do Museu Nacional.

Ex-presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e assessor para assuntos de Memória e Patrimônio Museológico da COC, José do Nascimento Junior discutiu os significados simbólicos da perda e da reconstrução do Museu Nacional para a cultura e a sociedade brasileira. “É uma perda simbólica muito grande, como a perda de um ente querido. É um luto e todo luto tem que ser vivenciado. Ritualisticamente nós temos que vivenciar, até para renascer, recompor, reconstruir”, comentou. Nascimento também destacou a mobilização espontânea de estudantes, acadêmicos e populares nos dias seguintes ao incêndio. “Essa energia não se perdeu. Está em potencial social e o Museu Nacional conta com isso para avançar e pensar na reconstrução. Nós precisamos renascer dessas cinzas”, disse o assessor da COC.

Diretor da Escola de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Ivan Coelho de Sá também falou sobre os significados de perda e renascimento após a tragédia e chamou a atenção para as peculiaridades do Museu Nacional. “No caso do Museu Nacional, tudo é potencializado. É um museu de duzentos anos, o primeiro centro de pesquisa do país, reconhecido no mundo todo. É um patrimônio histórico e artístico. É um museu especial, que transcende os estereótipos. Não é uma perda comum”, analisou Ivan Coelho de Sá. O diretor da Escola de Museologia da UNIRIO também ressaltou o papel dos profissionais do museu para a superação dos desafios. “Não há possibilidade de a gente pensar num fim. Os profissionais vão se reinventar e sair mais amadurecidos desse processo. A força do Museu Nacional vai superar tudo isso”, disse.


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