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Região, Nação e globalização no Nordeste brasileiro. Doutoranda norte-americana discute sua pesquisa na COC

2012-11-19

A formação de identidades e as representações do Nordeste de nosso país mundo afora é o tema do estudo de Courtney Campbell, que teve a oportunidade de apresentá-lo a professores e alunos que participaram do Encontro às Quintas do dia 1º de novembro. A pesquisa de campo no Brasil que ela faz no momento vai integrar sua tese de doutorado em história, que vem preparando para a Vanderbilt University, em Missouri, nos Estados Unidos.

 

Com bolsa da Fundação Mellon, Courtney já percorreu os estados nordestinos, especialmente Pernambuco e, agora, aproveita a temporada no Rio de Janeiro para trocar ideias com pesquisadores e alunos do programa de pós-graduação da Casa de Oswaldo Cruz, o que vai ajudá-la na finalização dos sete capítulos que já começou a escrever.

 

A palestrante ao microfone convidando Courtney Campbell e o coordenador do Encontro às Quintas, Robert Wegner
Ao fundo, a palestrante convidada Courtney Campbell e o
coordenador do Encontro às Quintas Robert Wegner.
Foto de Roberto Jesus Oscar.

 

A doutoranda, que já trabalhou como voluntária no chaco paraguaio e fez o mestrado em Pernambuco, reconhece ser “um desafio incluir tantas visões em meu estudo caleidoscópico”, e sua apresentação provocou uma série de perguntas, sugestões e esclarecimentos durante o debate transmitido ao vivo pelo site da Casa de Oswaldo Cruz.

 

Para Courtney, sua pesquisa é “mais temática do que cronológica, e trará visão mais urbana, com representação mais política”. Ela ressaltou o fato de que, “em uma região multicultural e misturada”, como o Nordeste brasileiro, que inclui estados com diferenças acentuadas, “vem sendo muito difícil e complicado para mim estabelecer limites”.

 

Simone Kropf, professora da pós-graduação em história das ciências e da saúde quis saber “como vai fazer com as diferenças regionais para chegar à identidade nordestina, já que vem trabalhando muito com Pernambuco”. Marcos Chor Maio, também professor do Programa e orientador de Courtney em seu período no Brasil, aproveitou para fazer considerações sobre a pesquisa e sobre a complexidade do tema das relações entre região, nação e globalização.

 

Courtney Campell trabalha com temática ampla, diversificada. No 1º capítulo, analisa os debates travados durante eventos e congressos acadêmicos, como o de 1926, quando foi redigido o 1º Manifesto Regionalista, com a participação de Gilberto Freyre. Ela também descreve os encontros ocorridos na Virgínia, EUA, e em Recife, em 1931, que contaram com a presença do escritor. De outro encontro ocorrido em 1944, ela destaca a palestra de Roger Bastide, quando fez um paralelo entre a resistência dos nordestinos às influências francesas, que, por sua vez, resistiram ao fascismo.

 

No 2º capítulo, Courtney vai descrever as viagens de jangadeiros nordestinos ao Rio de Janeiro, quando comenta a produção de um filme nunca finalizado, “Its all true”, em que Orson Wells tratou do tema. O 3º capítulo é uma discussão sobre as memórias sentimentais de soldados americanos e de meninas nordestinas, que viveram relações amorosas durante a 2ª Guerra Mundial. No 4º capítulo, a doutoranda fala sobre o MCP, o Movimento de Cultura Popular, criado em 1961 por Paulo Freyre e intelectuais, que buscaram inspiração em movimentos franceses. Dali surgiu a ‘pedagogia do oprimido’.

 

No 5º capítulo Courtney fala sobre a cultura nordestina e suas representações a partir do futebol. No 6º capítulo, analisa os concursos de beleza, como os de Miss Brasil, comparados aos congêneres de outros países. O capítulo 7 é uma análise das representações sobre o sertão nordestino para além de uma região pobre e seca, que impede o desenvolvimento. Nele, ela vai falar de projetos da Sudene, da Aliança para o Progresso e vai mostrar como cartunistas e chargistas utilizaram representações culturais internacionais e os regionalizaram. “Os beatos” aparecem em uma releitura da capa de um disco emblemático dos The Beatles: Lampião joga futebol, Tio Sam toca tamborim e Miguel Arraes atravessa Abbey Road.


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