Carlos Chagas

Nasceu em Oliveira, no oeste de Minas Gerais, em 1879. Matriculou-se em 1897 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, obtendo o grau de doutor em 1903 com a tese "Estudos hematológicos do paludismo". Sua trajetória científica foi marcada por dois grandes eventos: a teoria domiciliária da malária e a descoberta da doença de Chagas.

Em 1905 realizou a primeira campanha de profilaxia contra a malária, quando da construção das Docas do Porto de Santos (SP), conseguindo em pouco tempo controlar o surto. Foi a primeira campanha antimalárica de resultados positivos registrada na história desta doença. Seu método consistia em observar e descrever minuciosamente a transmissão intradomiciliar da malária. O resultado desse trabalho serviu de base para o efetivo combate à doença no mundo inteiro.

Voltando de Santos, ingressou, em 1907, nos quadros do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), onde trabalharia durante toda a vida.

Em 1909 seguiu para Lassance, em Minas Gerais, pequena vila situada próxima às ribanceiras do rio São Francisco, onde os operários que trabalhavam na construção de uma estrada de ferro estavam sendo consumidos pela malária. Instalou sua casa e seu laboratório em um vagão de trem. Os estudos experimentais sobre protozoologia que realizou nesta oportunidade forneceram-lhe ferramentas importantes para a posterior descoberta da doença de Chagas em 1910.

O prêmio Schaudinn, conferido ao autor do melhor trabalho sobre protozoologia realizado até então, e que só havia sido dado ao cientista Prowasek, foi-lhe outorgado em julho de 1912, como homenagem do Instituto de Doenças Tropicais de Hamburgo, na Alemanha.

Ainda no ano de 1912 realizou uma expedição ao vale do Amazonas, em que esclareceu aspectos importantes da nosologia brasileira e as condições de vida dos habitantes daquela região.

Em 1917, devido a morte de Oswaldo Cruz, Carlos Chagas substitui-o na direção do IOC.

Em 1918 foi chamado pelo governo Venceslau Brás a atuar contra a epidemia de gripe espanhola, que atingira grande parte da população da capital. Em seguida foi encarregado pelo presidente Epitácio Pessoa de elaborar um novo código para a Saúde Pública.

O novo regulamento, uma segunda reforma sanitária, foi aprovado em 1919 e entrou em vigor a partir de 1920. Criava o Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), em substituição à antiga Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), responsável pelos serviços sanitários terrestres, marítimos e fluviais e pelos serviços de profilaxia rural.

Durante sua gestão à frente do DNSP criou diversos serviços especializados de saúde, como o de higiene infantil, de combate às endemias rurais, à tuberculose, à hanseníase, às doenças venéreas, e ainda implantou a Escola de Enfermeiras e o Curso de Higiene e Saúde Pública.

Em 1925 foi nomeado professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Lá criou a cadeira de moléstias tropicais e estabeleceu as bases do estudo de higiene em nosso país.

Além disso, Carlos Chagas representou o Brasil em vários comitês internacionais, principalmente como membro permanente do Comitê de Higiene da Liga das Nações.

Morreu em 1934, no Rio de Janeiro.